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Entenda como funciona os concursos internacionais de azeite de oliva

Premiação traz reconhecimento e possibilita ampliação de mercado à produção nacional, que tem cerca de 40 medalhas conquistadas este ano

 

O consumo global de azeite de oliva deve chegar a 3,2 milhões de toneladas na safra 2020/21, segundo dados do Conselho de Azeitona Internacional (IOC). Produzido em 64 países, o chamado ‘ouro líquido’, mobiliza produtores e aficionados em mais de 50 competições internacionais, que ocorrem em países tão distintos como a Espanha, maior produtor, Canadá, cuja produção é praticamente artesanal, e Japão, um grande consumidor do produto. Há três anos, o concurso de Atenas passou a figurar entre os mais representativos, também pelo fato de os gregos serem os maiores consumidores mundiais, com 11,5 quilos por ano. Além disso, centenas de eventos regionais avaliam amostras locais. Nesse cenário, o sucesso dos azeites de oliva brasileiros em concursos internacionais aumenta a cada temporada, com cerca de 40 medalhas conquistadas, até o momento, por rótulos da safra 2021.

Apesar da diversidade geográfica e de algumas diferenças entre os regulamentos, esses eventos têm, em comum, a credibilidade e o reconhecimento do mercado. A separação das categorias, entre azeites intensos, médios ou suaves, é feita pelos próprios jurados, que durante a prova definem a intensidade de cada amostra. Um sistema de pontuação define quais participantes levarão medalhas. Ouro para todas as que obtém acima de 85 pontos e prata para as que pontuam de 65 e 85, com algumas variáveis entre os diferentes concursos. Cada categoria tem seus premiados, por isso vários rótulos recebem distinção tanto de ouro quanto de prata. 

“No concurso de Nova Iorque, remota ou presencialmente, cada amostra tem um código numérico. O jurado experimenta e avalia sobre aquele código. Quando sai o resultado, continuamos sem saber quais azeites avaliamos, tal o nível de confidencialidade que esses eventos têm. Diferentes concursos adotam diferentes práticas, mas de maneira geral todos seguem essa lógica”, revela Sandro Marques, único jurado brasileiro no NY IOOC (International Olive Oil Contest), que ocorre anualmente nos Estados Unidos, país responsável pela compra de 36% de todas as importações globais de azeite de oliva. “Nova Iorque tem um corpo internacional de jurados, renomados e com muita experiência, isso dá um peso grande pro concurso. No final, não adianta eu tentar comprar aquele azeite que eu achei o melhor, porque eu não sei e o organizador do concurso não revela”, acrescenta o especialista em azeites e degustador profissional, autor do livro Guia de Azeites do Brasil.

Na América do Sul, um evento itinerante ocorre, a cada dois anos, em diferentes países produtores (Brasil, Chile, Uruguai, Peru e Argentina). O Brasil foi sede em duas oportunidades, a mais recente em 2019.

Embora as competições sejam reconhecidas e o resultado cobiçado por produtores do mundo inteiro, Marques lembra que nem todos os bons rótulos participam das competições. “Um azeite premiado passou por avaliação de um júri criterioso, mas a decisão de inscrevê-lo no concurso é do produtor e nem todos querem participar. Pode haver azeites excelentes, de nível premiável e que não têm medalha, mas isso não significa que não estejam no mesmo patamar. É bom tomar cuidado, o premiado não significa que é o único bom”.

O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, também reconhece a importância das premiações, mas ressalta que o melhor azeite são os mais jovens e frescos. “O reconhecimento internacional é extremamente valioso para a olivicultura brasileira, e todos os rótulos nacionais saem ganhando, não apenas os premiados. Afinal, o nosso maior diferencial está no frescor e na paixão e dedicação que produzimos os nossos azeites”.



SOBRE PREMIAÇÕES

Entre as variações dos concursos, Sandro Marques lembra que alguns concedem medalha de bronze ou uma premiação ‘Best in Class’ entre os premiados, outros elegem os melhores de uma região, como do Mediterrâneo, ou da América do Sul. Considera positivo o fato de algumas competições dividirem os prêmios entre blends e monovarietais e compara a escolha de azeites à de vinho, em que cada um tem o próprio paladar ao eleger o preferido.

“Exatamente isso é o legal, ir provando e descobrindo. Alguns reclamam, por exemplo que o azeite é amargo, mas usando da forma certa, no prato correto, é uma delícia. Outro dia fiz bolo de chocolate com calda de cerveja e azeite para finalizar, ficou maravilhoso”, garante. “Por isso, não tem como escolher o melhor dos melhores, seria injusto porque tem azeites que são incríveis e têm características ligeiramente diferentes entre si, há muitos azeites bons, sejam eles monovarietais ou blends”.



 

Texto: AgroUrbano Comunicação
Foto: Sandro Marques
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